quinta-feira, 24 de abril de 2014


Dizem que tudo passa, inclusive o tempo. E passa...embora nem tudo passe com ele.
Durante muito tempo pedi-lhe desesperadamente que passasse. Agora não sei, tenho-me esquecido de lhe pedir. Tenho-me resignado a aceitar o que vem, e o que inevitavelmente vai. É isto, não é? É o que se supõe. Mas lá chega de novo o dia em que lhe peço que passe e que leve consigo tudo o que não preciso de guardar. Dizem também que quem fica agarrado a algo que dói no passado, é incapaz de encontrar a felicidade no futuro. Mas sobre isso...há muito que se lhe diga. A felicidade não se encontra. É o tal caminho, aquele que nós mesmos fazemos. Então se do caminho fazem parte as recordações, essas eternas fotografias,como se faz para as apagar?
Não se faz, não é?
Pois.
Não se apagam.

segunda-feira, 10 de março de 2014

De volta à realidade, aquela em que tu não estás. A minha realidade. A realidade das incertezas, das
ausências, dos porquês, dos se's, da saudade irracional de ti.
És a minha dose de irracionalidade, sabes? A minha dose de loucura, de felicidade, de inconsciência. És tu que despertas este eu. És tu que o acordas sobressaltado cada vez que chegas, nem lhe dás tempo para pensar. És tu que lhe relembras que há bem mais para além da dor, da raiva, da distância e de um coração partido. Relembras-lhe que acima de tudo há amor. E desse, quer eu queira, quer não...ninguém me salva.
Este dia tem sido assim, impávido e sereno, quase no limbo. Sinto que estou na fase do "despertar" dos sonhos...mas não quero, então adio e volto a adiar esse momento. Tenho-o feito ao longo de todo o dia. E quiçá fá-lo-ei até adormecer de novo. E amanhã, aí sim terei de acordar e retomar o caminho e procurar o meu eu racional. E organizar de novo cada bocadinho de mim e finalmente, recomeçar. Mais uma vez.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Há manhãs, frias e aterradoras estas, em que acordo inundada em pesadelos e pensamentos que deles advêm. Eu tento sabes? Todos e cada dia eu tento. Verdadeiramente e com toda a força que me é permitida. Eu tento fechar esse espaço onde permanecem as memórias que doem. Há dias em que consigo, o meu sorriso acorda disposto, os meus passos são certeiros e sabem para onde vão. Proponho-me nesses dias a procurar a paz e a estar bem. Bem, no pleno sentido da palavra. Procuro gostar de mim, esmerar-me na simplicidade dos pequenos pormenores, usar um vestido e colocar o tal sorriso. Mas há dias, ai esses dias. Parece que nesses dias não sou capaz de avançar. Termino-os tal como os comecei, cansada e vazia. E termino-os sem um único detalhe que me tenha preenchido o coração. Nestes dias sinto-me perdida. "Não sei o motivo para ir, só sei que não posso ficar". Pedir-te que compreendas é já um desgaste. Nem tu, nem ninguém que não tenha o coração dilacerado o há-de fazer.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

cansaço.

Há dias, duros esses, em que um cansaço imenso e letárgico invade cada milímetro de nós. Não um cansaço físico, porque esse atenua-se com umas horas de sono, com uma tarde de sofá. Não. Cansaço de lutar, de sorrir, de acreditar, de sentir, cansaço de todas as pequenas e maravilhosas coisas que nos enganam. Enganam-nos porque fazem acreditar que o que virá depois é melhor. E quiçá o que virá depois, é somente aquilo que devia ser, nem melhor, nem pior. Aquilo que tentamos adiar com o sorrir e o acreditar. Gostava de não me cansar. Que este doce engano perdurasse num para sempre (embora improvável), mais que desejável. Ainda assim, e profundamente cansada, sorrio. Será talvez e sempre, o melhor caminho. Porque posso baixar os braços, deixar de lutar, de acreditar, de sentir. Mas sorrindo me mantenho fiel a mim mesma. E que o cansaço, esse fique entre nós.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

meras ilusões.

Mais um dia (e este termina chuvoso). Como começo a saber tão bem, há sempre os melhores...e os piores, e quase sempre se intercalam. Há dias em que o medo arrebata-me como quem dá um abraço e não deixa escapar. Medo de me perder de novo em algo que pode doer. O medo que não existia se não houvesse ilusão. Mas ilusão? Ilusão é achar que não me iria iludir. Ilusão é pensar que quando quiser posso baixar os braços e desistir. Quando não, sei bem que desistir não faz parte de mim. Não seria capaz de desistir de algo que quero. Ilusão é crer que sou forte o suficiente para conseguir desligar-me do sentir, do viver, das emoções. E mais uma vez, errado. Não posso desligar-me de algo que faz tão profundamente parte de mim. É nestes dias que o medo volta. E é nestes dias que não consigo fazer mais nada, a não ser senti-lo, como uma espécie de cefaleia persistente. Nestes dias sinto-me presa, sinto que os meus pés estão presos e não me deixam caminhar noutras direções. Sinto que os meus braços estão atados, impedindo-me de abraçar outras coisas ou outro alguém. Nestes dias as recordações doem, como dói o frio. E, perco-me de novo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Ser feliz.

Ontem enquanto bebíamos o nosso chá "Spring Dreams", pensávamos sobre este grande segredo. Ser feliz...o que é mesmo ser feliz? Será que conseguimos? Será que algum dia alcançaremos este objetivo? Porque sim, julgo ser o objetivo major de cada um de nós. Se nos perguntam: o que procuras na vida? Respondemos sem duvidar: ser feliz! Mas que busca incessante é esta que parece não ter um fim? Não será
que só somos felizes enquanto procuramos a felicidade? Quiçá a felicidade é isso mesmo, a procura da mesma. Parece ser que após escalar todo o caminho até encontrarmos o alvo (aquilo que julgávamos fazer-nos felizes) tudo deixa de fazer sentido. E então, a nossa felicidade já passa por seguir outro caminho e encontrar outro algo ou alguém que nos faça felizes. (Pensando bem, que exigentes...) Será isto? Não se resumirá a felicidade às pequenas coisas pelas quais vamos passando, no caminho da procura? Provavelmente, terá razão quem disse que "a felicidade está nas pequenas coisas".

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

(Re)começar.

É mais ou menos isto. Se é que assim se pode chamar ao regresso às origens.
Recomeçar é um processo. Moroso, diga-se. Dói, cansa, desgasta e por vezes sufoca. Se se recomeça é porque não se estava bem. Se se decide recomeçar é porque foi necessário terminar algo para lhe dar um novo rumo, um novo começo.  Recomeçar é como o nascer do sol, de um novo dia. É pintar de novo e com novas cores uma vida possivelmente desgastada. É por vezes remendar com muitas linhas e novos tecidos (ou velhos) pequenos vazios que deixam entrar o frio. O problema, ei-lo: e quando não sabemos recomeçar? Existem para mim, pelo menos, dois caminhos. Parar e respirar. Fechar os olhos e deixar-se levar. E então sim, recomecemos. Sem medo e muito devagar.