sábado, 22 de fevereiro de 2014
Há manhãs, frias e aterradoras estas, em que acordo inundada em pesadelos e pensamentos que deles advêm. Eu tento sabes? Todos e cada dia eu tento. Verdadeiramente e com toda a força que me é permitida. Eu tento fechar esse espaço onde permanecem as memórias que doem. Há dias em que consigo, o meu sorriso acorda disposto, os meus passos são certeiros e sabem para onde vão. Proponho-me nesses dias a procurar a paz e a estar bem. Bem, no pleno sentido da palavra. Procuro gostar de mim, esmerar-me na simplicidade dos pequenos pormenores, usar um vestido e colocar o tal sorriso. Mas há dias, ai esses dias. Parece que nesses dias não sou capaz de avançar. Termino-os tal como os comecei, cansada e vazia. E termino-os sem um único detalhe que me tenha preenchido o coração. Nestes dias sinto-me perdida. "Não sei o motivo para ir, só sei que não posso ficar". Pedir-te que compreendas é já um desgaste. Nem tu, nem ninguém que não tenha o coração dilacerado o há-de fazer.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
cansaço.
Há dias, duros esses, em que um cansaço imenso e letárgico invade cada milímetro de nós. Não um cansaço físico, porque esse atenua-se com umas horas de sono, com uma tarde de sofá. Não. Cansaço de lutar, de sorrir, de acreditar, de sentir, cansaço de todas as pequenas e maravilhosas coisas que nos enganam. Enganam-nos porque fazem acreditar que o que virá depois é melhor. E quiçá o que virá depois, é somente aquilo que devia ser, nem melhor, nem pior. Aquilo que tentamos adiar com o sorrir e o acreditar. Gostava de não me cansar. Que este doce engano perdurasse num para sempre (embora improvável), mais que desejável. Ainda assim, e profundamente cansada, sorrio. Será talvez e sempre, o melhor caminho. Porque posso baixar os braços, deixar de lutar, de acreditar, de sentir. Mas sorrindo me mantenho fiel a mim mesma. E que o cansaço, esse fique entre nós.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
meras ilusões.
Mais um dia (e este termina chuvoso). Como começo a saber tão bem, há sempre os melhores...e os piores, e quase sempre se intercalam. Há dias em que o medo arrebata-me como quem dá um abraço e não deixa escapar. Medo de me perder de novo em algo que pode doer. O medo que não existia se não houvesse ilusão. Mas ilusão? Ilusão é achar que não me iria iludir. Ilusão é pensar que quando quiser posso baixar os braços e desistir. Quando não, sei bem que desistir não faz parte de mim. Não seria capaz de desistir de algo que quero. Ilusão é crer que sou forte o suficiente para conseguir desligar-me do sentir, do viver, das emoções. E mais uma vez, errado. Não posso desligar-me de algo que faz tão profundamente parte de mim. É nestes dias que o medo volta. E é nestes dias que não consigo fazer mais nada, a não ser senti-lo, como uma espécie de cefaleia persistente. Nestes dias sinto-me presa, sinto que os meus pés estão presos e não me deixam caminhar noutras direções. Sinto que os meus braços estão atados, impedindo-me de abraçar outras coisas ou outro alguém. Nestes dias as recordações doem, como dói o frio. E, perco-me de novo.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Ser feliz.
Ontem enquanto bebíamos o nosso chá "Spring Dreams", pensávamos sobre este grande segredo. Ser feliz...o que é mesmo ser feliz? Será que conseguimos? Será que algum dia alcançaremos este objetivo? Porque sim, julgo ser o objetivo major de cada um de nós. Se nos perguntam: o que procuras na vida? Respondemos sem duvidar: ser feliz! Mas que busca incessante é esta que parece não ter um fim? Não será segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
(Re)começar.
É mais ou menos isto. Se é que assim se pode chamar ao regresso às origens.
Recomeçar é um processo. Moroso, diga-se. Dói, cansa, desgasta e por vezes sufoca. Se se recomeça é porque não se estava bem. Se se decide recomeçar é porque foi necessário terminar algo para lhe dar um novo rumo, um novo começo. Recomeçar é como o nascer do sol, de um novo dia. É pintar de novo e com novas cores uma vida possivelmente desgastada. É por vezes remendar com muitas linhas e novos tecidos (ou velhos) pequenos vazios que deixam entrar o frio. O problema, ei-lo: e quando não sabemos recomeçar? Existem para mim, pelo menos, dois caminhos. Parar e respirar. Fechar os olhos e deixar-se levar. E então sim, recomecemos. Sem medo e muito devagar.
O dom de cativar.
" E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não
viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram
ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim
senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós
teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei
para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou à sua ideia:
- A minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço
um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei o barulho dos passos que será diferente dos outros. Os outros
fazem-me entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E
depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para
mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste!
Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então será maravilhoso quando me tiverdes
cativado. O trigo que é dourado lembrar-me-á de ti. E eu amarei o barulho do
vento e do trigo... A raposa então calou-se e considerou muito tempo o
príncipe: - Por favor, cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho
tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse
a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo
prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm
mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade,
disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho
Por mais vezes que o leia (de tal forma que já quase
o sei de cor), não consigo deixar de sentir-me absolutamente preenchida por
estas palavras. Que grande lição "meu principezinho". Mais do que
cativar, a responsabilidade que isso implica é tão grande que não caberia
nestas linhas. Embora saiba que cativar é hoje tão utópico quanto os contos de
fadas, não vou desistir de o partilhar, nem tão pouco vou deixar de cativar.
Porque eu sou, e serei sempre, eternamente responsável por aquilo que cativo.
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